Tipos de verrugas e como reconhecer cada uma
Conheça os tipos de verrugas, como reconhecê-los e quando procurar um dermatologista para confirmar o diagnóstico e indicar o tratamento correto....

As verrugas são lesões frequentes na pele, mas os diferentes tipos de verrugas podem ter aparência, localização e formas de transmissão distintas. Embora muitas sejam benignas, nem toda elevação ou alteração áspera na pele é uma verruga. A avaliação dermatológica é essencial para confirmar o diagnóstico e definir se há necessidade de tratamento.
Em geral, as verrugas são causadas pelo papilomavírus humano, conhecido como HPV. Existem muitos subtipos desse vírus, capazes de infectar camadas superficiais da pele e mucosas. O contato direto com uma lesão, pequenos traumas na pele e ambientes úmidos podem favorecer a transmissão, mas a presença do vírus não significa que toda pessoa desenvolverá verrugas.
Tipos de verrugas mais comuns
A apresentação clínica varia conforme o subtipo viral, a região do corpo e a resposta imunológica de cada paciente. Algumas lesões desaparecem espontaneamente ao longo do tempo. Outras persistem, aumentam de número, causam dor ou exigem tratamento para reduzir o risco de disseminação.
Verruga vulgar
A verruga vulgar é uma das formas mais conhecidas. Costuma surgir nas mãos, dedos, cotovelos, joelhos e outras áreas sujeitas a atrito ou pequenos ferimentos. Apresenta superfície endurecida, áspera e irregular, muitas vezes semelhante a uma pequena couve-flor.
Em algumas verrugas vulgares, são visíveis pequenos pontos escuros. Eles correspondem a vasos sanguíneos superficiais trombosados, não a raízes da lesão. Cutucar, lixar ou tentar cortar uma verruga em casa pode provocar sangramento, inflamação e disseminação para áreas próximas.
Verruga plantar
A verruga plantar aparece na sola dos pés, especialmente em áreas de apoio, como calcanhar e antepé. Por sofrer pressão ao caminhar, tende a crescer para dentro da pele e pode causar dor, como se houvesse uma pedra no sapato.
Ela pode ser confundida com calosidade. Uma diferença possível é que o calo costuma preservar as linhas naturais da pele, enquanto a verruga pode interrompê-las e apresentar pontos escuros. Mesmo assim, essa diferenciação nem sempre é simples a olho nu. Lesões dolorosas ou persistentes nos pés devem ser examinadas, sobretudo em pessoas com diabetes, neuropatia ou alterações circulatórias.
Verruga plana
As verrugas planas são pequenas, discretamente elevadas e de superfície lisa. Podem ter coloração semelhante à pele, amarelada, rosada ou acastanhada. São mais comuns no rosto, dorso das mãos, braços e pernas.
É comum haver várias lesões agrupadas. No rosto e nas pernas, podem se espalhar após o barbear ou a depilação, porque o microtrauma facilita a inoculação do vírus em pontos vizinhos. Por isso, a retirada dos pelos deve ser orientada individualmente quando há suspeita de verrugas nessa região.
Verruga filiforme
A verruga filiforme tem aspecto fino e alongado, como uma pequena projeção da pele. É observada com maior frequência na face, nas pálpebras, ao redor da boca e no pescoço.
Por ocorrer em regiões visíveis e delicadas, não deve ser removida com produtos vendidos sem orientação médica, linhas, lâminas ou métodos caseiros. Além do risco de cicatriz e infecção, outras lesões benignas ou malignas podem se parecer com verrugas filiformes.
Verruga periungueal e subungueal
As verrugas periungueais surgem ao redor das unhas, enquanto as subungueais se localizam sob a lâmina ungueal. Elas podem ser mais resistentes ao tratamento e causar deformidade da unha quando persistem.
O hábito de roer unhas ou retirar cutículas pode favorecer o aparecimento dessas lesões, pois cria pequenas portas de entrada para o vírus. Como alterações na região ungueal também podem ter outras causas, a avaliação é importante antes de iniciar qualquer produto tópico.
Verrugas genitais
As verrugas genitais, também chamadas de condilomas acuminados, acometem a região genital, anal, perianal ou, em algumas situações, a boca e a garganta. São transmitidas principalmente por contato sexual e podem se apresentar como pequenas pápulas isoladas, agrupamentos de lesões ou áreas com superfície irregular.
Nem toda infecção por HPV causa verrugas visíveis, e os subtipos associados a verrugas genitais não são necessariamente os mesmos relacionados ao câncer. Ainda assim, a identificação de uma lesão genital requer consulta médica, pois é preciso avaliar diagnósticos diferenciais, orientar parceiros quando indicado e manter os exames preventivos recomendados.
Verruga ou outra lesão de pele?
Uma lesão elevada, áspera ou pigmentada não deve ser automaticamente considerada verruga. Ceratoses seborreicas, calos, molusco contagioso, acrocórdons, nevos e algumas lesões pré-cancerosas podem gerar dúvida. Em casos menos comuns, tumores de pele também podem apresentar aspecto verrucoso.
É recomendável procurar um dermatologista quando a lesão cresce rapidamente, sangra sem trauma, muda de cor, forma ou tamanho, causa dor importante, forma ferida, não melhora com o tempo ou surge em uma pessoa com imunidade comprometida. Lesões na face, genitais, unhas e plantas dos pés também merecem atenção especial pela sensibilidade da região e pela maior dificuldade de tratamento.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico costuma ser clínico, realizado pela observação da pele durante a consulta dermatológica. A distribuição das lesões, sua textura, o tempo de evolução e os sintomas relatados ajudam a diferenciar as verrugas de outros quadros.
Quando há dúvida diagnóstica, o dermatologista pode utilizar dermatoscopia, um exame feito com aumento e iluminação específicos. Em situações selecionadas, pode ser necessária biópsia para análise do tecido. Esse cuidado é particularmente relevante diante de lesões atípicas, recorrentes ou resistentes a tratamentos anteriores.
Tratamento das verrugas: por que deve ser individualizado
O tratamento depende do tipo de verruga, localização, quantidade de lesões, idade do paciente, presença de dor e condições de saúde associadas. Algumas verrugas podem regredir espontaneamente, principalmente em crianças e adolescentes, mas essa possibilidade deve ser ponderada contra o risco de transmissão e incômodo local.
Entre as opções disponíveis estão medicamentos queratolíticos, crioterapia, eletrocauterização, curetagem, métodos químicos e procedimentos cirúrgicos em casos específicos. Nenhuma técnica é ideal para todas as situações. Uma verruga plantar profunda, por exemplo, pode demandar uma estratégia diferente daquela usada em uma lesão pequena no dorso da mão.
A crioterapia utiliza frio intenso para destruir o tecido da lesão. Pode exigir mais de uma sessão e, em algumas regiões, provocar dor, bolha ou alteração temporária de pigmentação. Já os tratamentos tópicos precisam de uso correto e regular, pois aplicações excessivas podem irritar a pele saudável ao redor.
Em verrugas genitais, a escolha terapêutica considera extensão, local afetado, gestação, imunidade e características das lesões. O tratamento remove as verrugas visíveis, mas não garante eliminação imediata do HPV do organismo. Por essa razão, recidivas podem ocorrer e o acompanhamento médico tem papel relevante.
Cuidados para reduzir a transmissão
Evite manipular, arrancar ou lixar as verrugas. Lave as mãos após tocar na lesão e não compartilhe lâminas, alicates, lixas, toalhas ou calçados. Em piscinas, vestiários e áreas coletivas úmidas, o uso de chinelo pode reduzir a exposição da pele dos pés.
Também vale evitar depilação ou barbear diretamente sobre verrugas, pois isso pode espalhar o vírus para regiões próximas. No caso de lesões genitais, o uso de preservativo reduz o risco de transmissão, embora não elimine completamente a possibilidade de contato com áreas não cobertas. A vacinação contra o HPV é uma medida preventiva relevante dentro das faixas etárias e indicações estabelecidas.
No consultório, o dermatologista pode avaliar se a lesão é realmente uma verruga e indicar a conduta mais segura para cada caso. Em São José do Rio Preto, o acompanhamento com dermatologista permite tratar a lesão sem negligenciar sinais que merecem investigação. Diante de uma alteração nova ou persistente na pele, a decisão mais prudente é examiná-la antes de tentar removê-la por conta própria.

Dr. Omar Algazal
Dermatologista - CRM 24117
